“Valeria” – a crítica à geração millenial mais descolada que você vai ver

Amor, Lindezas, Vida

Planejo tanto os conteúdos que faço por aqui (e nas redes sociais), que já fazia muito tempo que eu não chegava aqui no blog de bobeirinha só pra escrever de forma livre (e sem nóias de SEO) sobre alguma coisa que eu vi, assisti, ouvi. Chega de introdução!

Nesse último FDS (se você me lê do futuro, sim, ainda estamos em quarentena) maratonei a série espanhola “Valeria” da Netflix. Contextualizando rapidamente: é praticamente um Sex and the City passado em Madri, em 2019. As 4 protagonistas tem cerca de 30 anos, a principal é uma escritora (salve, Carrie!) e está escrevendo um livro sobre sexo e relacionamentos baseado em suas próprias experiências. Não vou entrar muito nos detalhes técnicos e “roteirísticos” da série, porque você pode encontrar essas informações em qualquer outro site de cinema e entretenimento, de uma forma muito mais completa! O máximo que eu consigo aqui é:

“Com problemas na vida conjugal e profissional, a escritora Valéria conta com o apoio de suas três melhores amigas. Baseada nos romances de Elísabet Benavent .”

À princípio você pode pensar que essa é só mais uma série dessas que a Netflix faz pra gente usar de pano de fundo enquanto lava a louça, faz as unhas ou tenta pegar no sono na madruga boladona. MAS, vou explicar aqui o porquê eu gostei tanto da série – garanto que não é só porque eu sou escritora, tenho 3 amigas e falo sobre relacionamentos. Não queria dar muito spoiler aqui, mas acho que vai ser impossível não dar então, fecha os olhos se você não quiser saber – SIM, POSSO ME DESCONTROLAR E DAR SPOILERS À PARTIR DE AGORA!

“Valeria” fala sobre amizades, sobre relacionamentos, fala sobre família, traumas de infância, feminismo, opressão e fala (muito) sobre traição conjugal. É uma série esteticamente muito agradável de ver, com ambientes (bares, restaurantes, cafés) super descolados. Amei os figurinos, as cores, os neons, a iluminação, a passagem de cenas, a direção, os jogos de câmeras e a forma com que as micro histórias são contadas para compor o todo. E como falei acima, me lembrou muito a vibe do Sex and the City realmente, por contemplar a cidade junto com a moda e com os relacionamentos – dessa vez com questões bem mais atuais.

Mas o que mais me chamou atenção na série é que a protagonista, a própria Valeria, é um verdadeiro MEME da geração Y (millenials) – a mesma que a minha (e a sua se você tem cerca de 30 anos de 2020). Ela é mimada, um tantinho egoísta, não quer arranjar um emprego para pagar as contas porque sonha em ganhar dinheiro com sua própria arte (o livro que está escrevendo), não tem coragem de encarar conversas difíceis e longas. Ela tem sérios problemas em seu casamento mas vai mascarando todos eles com mentiras & outros artifícios (Victor, para os íntimos) e tanto ela quanto suas amigas (também millenials) não conseguem ouvir umas às outras pois só conseguem falar de si mesmas e de seus próprios problemas. Confesso que me identifiquei MUITO com as questões existenciais que ela passa em relação à trabalho e carreira: a gente é naturalmente uma geração que quer ganhar a vida realizando sonhos sem botar a cara no sol. Somos a geração que se frustra por nem tentar!

A série também apresenta uma questão que achei bem relevante: a de não sabermos quando um relacionamento chega ao fim. O que caracteriza exatamente que um casamento não funciona mais? Qual o limite entre “tudo vai melhorar, é só uma fase ruim” e “não tem mais jeito”? “Valeria” joga na nossa cara o quanto ainda somos muito imaturos mesmo aos 30, o quanto não sabemos lidar com a complexidade das relações, o quando de egoísmo que ainda temos e de empatia que não temos, rs. É importante falar que todas essas características da geração Y são “criticadas” na série mas de uma forma muito leve e humanizada, uma vez que muitxs de nós nos comportamos da mesma forma e ninguém está aqui pra julgar ninguém. Estamos todxs no mesmo barco aprendendo sobre a vida e sobre como nos relacionar da melhor forma. Tanto que, em determinado ponto da série, creio que mais para os três últimos episódios, a gente começa a entender de onde vem esse egocentrismo de cada personagem, esses comportamentos que a gente entende como errados, porque agem como agem, todos os traumas que passaram, erros de percurso, adversidades. E a gente vê, sim, uma certa evolução emocional em cada um deles dos primeiros capítulos até os últimos.

Ah, e mais uma coisa! Fiquei MUITO sensibilizada pelo marido traído e enganado. No começo ele parecia fofo, depois vemos que ele era meio escrotinho, sim (aos poucos, revela-se que ele não apoiava as escolhas de Valeria, falava com palavras “suaves” pra ela desistir de escrever, que ela não era boa naquilo, e isso foi oprimindo o espaço de comunicação entre eles na relação – mas ok, nada justifica uma traição), e não posso deixar de dizer que achei levemente curioso o fato de ser Valeria a trair o marido e não o contrário. Logo no começo quando começam os desentendimentos do casal, já pensei “Ih, ó lá, ele vai trair ela, certeza” (e acho que a série até usa alguns truques pra fazer a gente pensar que a história vai pra esse lado) e foi muito surpreendente perceber a normatização da traição masculina que já está na nossa cabeça. É inerente à nossa cultura, estamos “””acostumadas””” (muitas áspas aqui) a já esperar a traição vinda de um homem. E a série dá uma chacoalhada nessa nossa crença ~tão 2005~.

Conclusão: temos que entender muitas coisas ainda antes de nos relacionar de verdade. Estar sozinhx não é ruim, é fundamental pra que a gente desenvolva mais autoconhecimento e assim, possa construir relações mais profundas e interessantes.

E você, assistiu “Valeria”? O que achou? Conta pra mim aqui nos comentários, vamo fofocar! ♡

Novo zine: Conselhos Amorosos!

Vida, ZINES

Quem lembra da sessão “Conselhos Amorosos” aqui do blog?

As perguntas amorosas que vocês me mandavam por cartinha e as respostas loucas que eu dava entre um drink e outro viraram um zine maravilhoso com textos inéditos sobre autoestima e relacionamentos. A novidade é que esse zine é 100% online, disponível apenas na versão e-book, pra você comprar e já poder ler agora mesmo aí de onde você está!

AAHH eu tô muito feliz com todos esses projetos novos aqui de Vênus, tô empolgada, tô com um medinho gostoso e muito ansiosa pra ter o feedback de vocês sobre essa leitura. Antes da preguiça bater, saiba que esse e-book é um PDF com apenas 8 pagininhas, bem rapidinho de ler numa sentada só (UI!).

Quem não estiver sofrendo de amor nesse planeta, que atire o primeiro vaso cenográfico de açúcar na parede.” 

Pra ter o seu “Conselhos Amorosos” clica nesse botãozinho aqui embaixo!

Não se cobra!

LA LOBA, Vida

Estou voltando-novamente-mais-uma-vez-agora-é-sério.

Amigas, com esse negócio de quarentena y crise y coronaváirus tá bem difícil ficar em casa sem surtar, né?

Minha sorte é que eu tenho muitos projetos doidos na minha cabeça e passado a maioria dos dias envolvida com as minhas criações e tirando meus planos do papel (aqueles que dá pra tirar). E na real, tem muita gente que tá trabalhando de casa agora e tendo ainda mais demanda que o normal, tipo recebendo ligação de chefe à meia noite de um domingo. Pra muita gente a quarentena tá sendo uma grande sobrecarga trabalhista e isso não há como negar.

Tô ouvindo “Acontecimentos”, da Marina Lima – a quem possa interessar.

Eu mesma. Trabalho por conta agora e tenho o glamour de fazer meus próprios horários pra não surtar por completo, mas a verdade é que entre escolher ficar loka de trabalhar ou ficar de boa, eu sempre acabo escolhendo erroneamente ficar loka de trabalhar porque assim acredito que estou cultivando uma área menor na minha cabeça pra criar nóias e conflitos internos. Queria voltar a atuar aqui nesse site que vos fala e a quarentena veio dar aquele empurrãozinho: mergulhei nessa reformulação do site, fiquei alguns dias até meio obcecada com o layout, os textos, a formatação, as fotos. Fiquei imersa nisso, colocando metas absurdas pra mim mesma, pensando sobre produtividade em 90% do tempo (nos outros 10% eu esperava alguém falar sobre produtividade) e, pra falar a verdade, achei que ficou bem bonitinho o resultado. Você gostou? Dá uma olhadinha lá na página SOBRE pra entender mais sobre essa nova fase.

“Pelo menos hoje eu vou fazer um skincare bem demorado e talvez não ser tão legal assim com as pessoas.” (Batah, Juli; 2020)

Só que, por mais legal que o site tenha ficado, quantas pessoas tendo crises existenciais, crises de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais a gente vai precisar ver na nossa frente pra ENTENDER que o descanso não é um artigo de luxo. Ele é necessário. Eu me entrego até mais do que deveria nos meus projetos, mas a gente tem que entender os limites do nosso corpo (falo muito sobre isso no LA LOBA, inclusive, e tô adorando que esse texto de volta já tá cheio de links e referências que se explicam sozinhas. Vai lá ver mais desse projeto, sério, cê vai amar!). Enfim, hoje eu acordei e resolvi pegar menos pesado comigo. Não vou fazer mais do que eu consigo, não vou me forçar, tenho coisa pra resolver SIM mas vou com calma. Pelo menos hoje eu vou fazer um skincare bem demorado e talvez não ser tão legal assim com as pessoas, eu não tô no mood – não tava mesmo. Me julgar por isso? Jamé!

"I am not in the mood to be with a bunch of people."- Carrie Bradshaw

Então é isso amigas, um textão bem sincerão pra falar basicamente que eu voltei com o blog. Tô disposta a encarar esse projeto com todo o meu coração de sempre, mas assim, vai ter dias em que eu não vou me cobrar pra caramba, até porque a gente sempre tem outras áreas da vida que também precisam de atenção. Não quero surtar e nem surtar vocês todas com meus surtos.

PS. Sempre tive preconceito com pessoas que abandonavam blog e depois voltavam na fé, sem querer assumir pra si mesmas de que dalí a dois meses abandonariam de novo, mas agora super entendo essas pessoas, caramba, manter conteúdo na internet é difícil pra dedéu. Melhor parar e elaborar um retorno triunfal do que se obrigar a ficar escrevendo bosta pra não perder a audiência. Mas, bem, minha audiência ainda está aqui, certo? Grite audiência, grite pra eu te ver.


Me segue no Insta: ♡ @vamospravenus e @_mapadasminas ( esse com dicas de rolês pras minas de SP!)

Mãe?

Vida

Esses dias recebi uma ligação-trote dessas que a pessoa liga chorando, fingindo que foi sequestrada e te chamando de mãe. Não consigo mensurar o que senti na hora, raiva, tristeza, medo, realmente na minha idade eu já poderia ser mãe e estar com a vida muito mais encaminhada. Minha mãe, minha vó e minha tia já eram mães com 28, e eu aqui vendo Três Espiãs Demais e comendo pipoca. De repente essa ligação foi até pra me chacoalhar, tipo, “vamo minha filha, vai tocar sua vida”, um sinal do Universo através de uma voz adolescente, trêmula e abafada pela camiseta. Quase perguntei pro menino “você acha que eu tenho vocação pra ser mãe mesmo, tipo, eu tenho voz de mãe?” No fim das contas achei bonitinho ele ter me ligado, além de atuar muito bem, me fez sentir como seria ter um filho por alguns segundos e me trouxe esses questionamentos todos. Até me preocupei com o bem-estar dele, acho que eu seria mesmo uma ótima mãe.