San Pabla mexe com as nossas emoções

#LOBASDACIDADE, FIGURAS DO COTIDIANO, MAPA DAS MINAS

San Pabla é uma cidade que mexe com as nossas emoções, dá uns tapas na nossa cara e uns refrescos depois pra compensar, né? Lembro do dia em que eu tava andando em Pinheiros, muito corrida pra pegar o metrô e encontrar uma amiga. Eu tinha feito um curso que passou do horário naquele dia e já tava bem atrasada. 

No caminho para a estação, uma senhora em situação de rua me pediu para comprar um café para ela. Como eu tava em um “modo automático”, só pensando em chegar logo ao meu destino, sem parar de andar imaginei que comprar o café me tomaria uns 10 minutos, pelo menos. Nessa mesma fração de segundo também lembrei que não tinha dinheiro trocado na bolsa para dar pra ela ali na hora.

Falei algo como “hoje eu não tenho!” mas de uma forma apressada, eu realmente nem parei de andar. Na minha cabeça só passava um trailer do filme que seria a minha amiga reclamando a tarde toda por eu ter me atrasado pra encontrar com ela. Cheguei na estação, agora sentada dentro do metrô, com mais calma pra pensar, lembrei do olhar daquela senhora e fiquei tão triste. 

Triste por a gente viver nessa correria e não ter tempo nem de parar e responder alguém. Triste por a gente atravessar ruas, bairros e regiões sem sentir as coisas, sem perceber as pessoas. Lembro de ter chorado inclusive. Como eu me arrependi de não ter parado aqueles 10 minutinhos para ajudar.

Nesse mesmo vagão, eu caí na gargalhada. Um grupo de uns 4 meninos que deviam ter entre 16-18 anos estavam falando de todas as técnicas que eles usavam para conseguir pagar a conta quando saíam com meninas muito feministas, que não deixavam eles fazerem essa gentileza. “Cara, cê tem que pagar tudo quando ela vai ao banheiro!”. “Mas e se eu quiser pagar na frente dela, tenho que pedir desculpas, ou algo assim?” “O lance é não deixar ela perceber que não tá gastando nem um centavo” – eles davam risadas e eu também.

San Pabla é uma cidade que mexe com as nossas emoções. Mas precisamos estar atentas à elas saindo desse modo automático que tanto falamos nos posts do #LOBADACIDADE. E você, amiga, já riu e chorou no mesmo dia? Tem estado mais atenta e desperta às sensações que te rodeiam em San Pabla? Me conta! 🌙

Torta de climão: o dia em que almocei com desconhecidos em SP

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Amiga, contei da vez em que eu fui almoçar com desconhecidos aqui em San Pabla? HAHA, foi na Vila Olímpia, ano passado. Eu tava numa reunião e decidi almoçar em um restaurantinho ali perto mas pensa num bairro que FERVE em horário de almoço comercial – cê conhece o esquema, né? 

Achei um bistrôzinho para almoçar que parecia bom e tava um pouco mais vazio, mas era um lugar pequeno com mesas meio grandes. Fiquei numa rápida fila de espera e na hora que a hostess me encaminhou para a mesa, perguntou se eu, que tava ali sozinha, topava dividir a mesa com mais algumas pessoas.

Falei que sim só para evitar qualquer constrangimento, já que tudo o que eu queria era comer sozinha. Eis que ela me colocou em uma mesa de frente pra um cara, e depois chegou mais um cara e uma mulher e sentaram do nosso lado. Tudo coladinho. Garçom veio tirar nossos pedidos como se fôssemos uma turma de amigos. 

MIGAS, QUE TORTA DE CLIMÃO! A gente não sabia se engatava numa conversa, se valia a pena puxar assunto uns com os outros naquela condição de calor + fome + irritação e imaginei que, assim como eu, eles também queriam estar sozinhos e estavam morrendo de preguiça de interagir. Fora a vergonha, né? Haha

Os pratos chegaram e cada um comeu o seu olhando para baixo. HAHAHAHAHA, na hora juro que até pensei em fazer alguma piadinha ou comentário para quebrar o gelo, mas se desse errado ou eles não entendessem, eu teria que almoçar uma torta de climão bem maior que a que já tava ali servida.

Como você lidaria com essa situação? Me conta aqui embaixo! E fica aqui a minha dica: ao saírem sozinhas, cuidado com restaurantes pequenos de mesas grandes e evite-os ainda mais se estiver em um horário de pico e em um bairro muito coorporativo-mêu! #mapadasminas 

Como fazer amigas na vida adulta?

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Quando você é “xóven” e tá na escola ou na faculdade é muito fácil fazer amigas, né? Você tá sempre em contato com muitas pessoas, conhecendo gente nova todos os dias e é só mandar um: “nossa, também adoro essa banda!” – e pronto, tá feito, é como se vocês se conhecessem desde os 12 anos. Tem festas, baladas e churrascos toda semana e você nem precisa fazer muito esforço pra manter aquela convivência, ela opera em um modo automático.

Mas como a gente fica depois na famigerada ~ vida adulta~? Agora não temos mais tempo e nem muito pique para manter amizades rasas e depois de muitas decepções com amigxs nos últimos 10 anos nosso critério já é um pouquinho mais refinado. Aquela galera da escola que era divertida mas tinha umas opiniões políticas meeeeeio duvidosas já não tem mais chances com você, nem aquela amiga que só contava calorias. 

E muitas vezes nem as outras pessoas estão mais tão disponíveis assim, já que estão 100% focadas em suas carreiras, casamentos, viagens & filhos – o combo perfeito da vida adulta, fritas acompanha? Não vou mentir, às vezes fico meio afinzinha de simplesmente beber até vomitar, mas seilá, já me sinto um pouco infantil fazendo isso já que nos grupos do Whats, que geralmente falávamos sempre as boas do final de semana, minhas amigas têm falado termos estranhos como “lua de mel”, “remédio para enxaqueca”, “escolinha da Sophia” ou mandam aquelas correntes com os malefícios do refrigerante. Fico especialmente preocupada quando terminam a conversa com uma oração de nossa Senhora Aparecida + uma “semana abençoada para todas”. 

Pior: a pessoa que manda a oração muitas vezes sou eu. 

Chega! Não vamos sucumbir a isso, amigas! Não vamos aceitar que a vida acabou assim. Ainda não existe vacina para a vida adulta mas talvez ainda exista para COVID19 e depois que todas estivermos vacinadinhas, faço questão de convidar vocês todas para um #SPJUNTAS (nosso famoso encontrinho), onde vamos poder nos juntar com outras manas que estão passando por esses mesmos perrengues e renovar nossos ciclos de amizades com mulheres incríveis & divertidas & animadas pra fazer rolê! #vemvacina ⚡️

Sinto falta da cidade!

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Sinto falta da cidade! De andar pelas ruas esburacadas e cair na frente de todo mundo (sim, isso aconteceu na Vila Olímpia e ninguém me ajudou, porque lá as pessoas parecem ocupadas demais para isso), de pegar metrô lotado mesmo que num domingo de manhã e até do cheirinho de esgoto na Marginal – mentira, jamais. O que sinto falta mesmo é de ver minhas amigas, tomar bons drinks e reclamar dessa cidade que a gente ama odiar! 

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San Pabla me ensinou a escolher sapatos. É que com tantas calçadas tortas, esburacadas e impraticáveis, já eliminei da minha vida todos as opções de sapatos de salto (sorry, Manolo) e me sobrou apenas os tênis, rasteirinhas & chinelões. Aliás, se tenho um evento minimamente importante, levo o chinelo comigo na bolsa pra colocar assim que eu pisar na calçada. Brigada San Pabla! Graças a sua essência caótica e pós apocalíptica não gastei todo o dinheiro que ganhei na vida com uma coleção de sapatos incríveis. É uma cidade que ENSINA a gente, né migas? Hahahaha #sqn

E aí que você calça os sapatos, arruma o cabelo, coloca os brincos, passa um lápis e um rímelzinho no olho, confere os documentos na carteira, pega as chaves, a bolsa, as sacolas com as coisas que precisa levar pra alguém, dessa vez não esquece de pegar o álcool gel (ufa!), hidratante para as mãos e desce para a rua. Sai pelo portão, passa uma quadra, duas esquinas & atravessa uma pracinha, chega no mercado e pega a sua cesta para então lembrar através do olhar de julgamento alheio que você esqueceu a máscara e precisa voltar para casa de novo pra buscar. ♡

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“Aprecie o que San Pabla tem para oferecer:

♡ Calçadas terríveis para andar. Tortas, esburacadas, levantadas, deslocadas, descambadas. Obras no meio do caminho. E tem gente que ainda consegue andar de SALTO maravilhosamente bem.
♡ 12 milhões de habitantes e ainda assim, quando você vai para outro bairro em outra região, um bar que você nunca ouviu falar… Consegue encontrar seu ex, que é seu vizinho. 
♡ Filas. Filas. Filas. Tem fila até pra comprar calcinha bege, que até onde sabemos ninguém quer. 
♡ Pessoas que andam devagar-quase-parando. Conversando e fechando a rua. Ou trombam com você porque estavam com o celular na mão. 
♡ Frio depois calor depois neve depois seca. Você sai de casa toda agasalhada de baixo de uma frente fria mas chega no trabalho e o verão se instalou. Aghhht! “

Mais textos sobre essa relação de amor e ódio por San Pabla no meu zine “Como Amar São Paulo?”