Só parei com o açúcar

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Claro que eu sou a favor de uma alimentação equilibrada e sou contra excessos e restrições exageradas. Em teoria!

Na prática eu tive fases muito compulsivas (geralmente atreladas a stress de trabalho e esse vai-e-vem impossível de San Pabla) e já me frustrei com dietas absurdas que tentei fazer e restrições que pareciam torturas chinesas. O mais engraçado (e também trágico) é que eu mesma me proporcionei essas experiências.

Hoje, entendo que posso comer um pouco de tudo (tanto alface quanto pizza) já que não tenho nenhum tipo de alergia, evito pastel e frituras porque o óleo enche meu rosto de espinhas (e isso realmente me incomoda) e bebo muuuuuuuuuuita água. Isso eu me orgulho!

Meu ponto fraco é o açúcar. Eu sou muito viciada em doces e quanto mais como doces mais ansiosa por mais e mais doces eu fico, então decidi cortar o açúcar esse ano – apesar de essa ser uma baita restrição. Até agora tive poucas recaídas! Umas foram intensas outras deu pra segurar bem e “voltar” mais rápido pra rotina.

Minha irmã me sugeriu esses dias de comer só de vez em quando, quando o doce valer muito a pena. Explico o que aconteceria no meu cérebro se a situação fosse essa: ele pensaria, “UAU que delícia esse petit gateau. Agora fiquei de boas de doce, próxima sobremesa só no final de semana que vem.” Durante a semana: “Mas e se eu comer só um bombom na terça? Dois, vai, porque um é muito pouco!” – E aí na quarta à tarde eu estaria devorando uma caixa de BIS inteira durante o trabalho, com todos aqueles papeizinhos alumínio azul amassados em cima da mesa, sem o menor critério, sem sentir o sabor, sem nem gostar muito de BIS.

O açúcar faz isso comigo e por isso eu cortei ele da minha vida. Às vezes provo uma colherada de alguma sobremesinha para indicar aqui para vocês mas tô pegando o jeito de experimentar sem cair no vício de novo, o segredo é ser só uma colher mesmo (é o que funciona pra mim).

Acho que uma boa alimentação tem MUITO a ver com o seu estado mental e emocional, o quanto você pode fazer concessões para a sua saúde e se permitir comer sem entrar em colapso com você mesma, entender o quanto aquele chocolatinho pode ser só um prazer no meio da tarde e o quanto ele pode desencadear uma ansiedade que já tava controlada de outras formas.

Cada pessoa sabe o que é melhor para si e para o seu corpo. Como é a SUA relação com a comida?

*Só um adendo: em uma das fases que eu mais estive compulsiva por doces, toda vez que eu tirava uma carta do baralho da Deusa vinha a Mulher do Milho pra mim. TODA SEMANA EU TIRAVA ELA! Uma carta que fala sobre a importância de se conectar verdadeiramente com a comida e com o que alimenta o funcionamento do seu corpo de verdade, sem entrar em compulsões e restrições. Louco, né? 

Encontrei o cabelo mais lindo do mundo e vou te mostrar qual é

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Esses dias eu entrei na internet para procurar sobre cabelos. 

Seilá, tava meio enjoada dos meus e queria um novo visual para começar o ano que vem com um pouco mais de sorte. Olhei minhas pastas antigas de cabelos coloridos que eu tive e amava: rosa, azul, verde, vermelho. 

Fiquei horas e horas vendo aquelas mechas coloridas, brilhantes quando recém escovadas e minha vibe sonhadora e inspirada começou a dar lugar para a péssima lembrança que eu tenho de tentar desembaraçar um cabelo descolorido sem os cremes profissionais e caríssimos de salão. A expectativa é parecer a Hayley Williams mas sensação no dia a dia é de pentear um espantalho com uma escova de dentes.

Continuei minha pesquisa. Passei por loiros, ruivos (será que eu ficaria bem ruiva, gente?), platinados, castanhos bem escuros, pretos. Nunca sei a cor que mais combina comigo. Gosto de todas nas fotos das modelos mas quando faço alguma mudança em mim mesma demoro para acostumar e quando acostumo já não tem mais graça. 

E a textura? Será que faço um alisamento ou deixo como tá? Corto nos ombros e faço babyliss? E chanel? Coloco mega hair? É muita foto, muita ideia, muita referência, muita informação. Encontrei uma foto da Débora Alcântara, musa, raynha do @tudoorna. “É ESSE!!” ESSE CABELO QUE QUERO TER EM 2021!!!” – concluí. 

Fechei meu computador e deixei ele de lado na cama. Parei um pouco, pensei, dei um scroll no feed do Insta sem ver nada de importante, pensei mais um pouco… Mas calma, como tá o MEU cabelo agora? Fui invadida por um blackout. Puxei meus arquivos internos mais recentes e NADA. No pique da quarentena e do modo “piloto automático” que tenho vivido nas últimas semanas, me toquei que fazia MESES que eu não olhava o meu próprio cabelo, minha própria aparência. Tava sempre nas redes sociais buscando referências de como eu queria me parecer sem olhar como eu me parecia no momento presente.

Fui até o espelho soltei os cabelos que tavam presos em um coque no topo da cabeça. Tava ele lá: volumoso, castanho, sem textura definida (algumas mechas onduladas, outras mais cacheadas). Passei uma escova rápida e tava lá a Débora Alcântara. Talvez não tão ryca, não tão CEO e definitivamente nada curitibana mas com um cabelo muito parecido. O cabelo que eu queria ter já estava na minha cabeça.

E o que podemos aprender com isso? 

Não sei! Talvez a gente passe tempo demais absorvendo muita informação de beleza na internet, nos comparando com outras mulheres o tempo todo e buscando aparências que não tem a ver com a gente quando muito do que a gente quer e precisa já tá aqui: nossa autenticidade. Como é pra você?

Dia desses eu tava com dor de cabeça

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E muita dor nas costas.

Como se um peso estivesse me pressionando para baixo, sabe? Achei que poderia ser fome e má postura. 

Fui até a cozinha, comi um pãozinho com queijo branco e tomei um copo de água de coco. “Vai passar” – pensei, e não passou. Imaginei que a dor de cabeça poderia ser por causa do calor de quase 40 graus que faz em SP esses dias, então liguei o ventilador e tomei 1L de água bem gelada na esperança de melhorar sem precisar recorrer aos remédios. Flertei um com o Naproxeno e Ibuprofeno, imaginando nós juntinhos em um beijo triplo mas lembrei que nesse processo do #LOBASDACIDADE tenho tentado entender meu corpo e tratá-lo da maneira mais carinhosa e intuitiva possível, sem ficar me anestesiando e me enchendo de medicamentos, sem consciência, em um modo automático sem fim.

“Mais meditações e menos medicações!”, lembra? Fiz alongamentos e uma automassagem delicinha nos ombros, mãos e pés. Revisitei mentalmente tudo o que eu tinha comido naquele dia para tentar entender o que teria desequilibrado meu sistema (será que foi o salame ou a geléia da Turma da Mônica?), verifiquei meu Diário Lunar para saber se aquela dor latente tinha a ver com meu ciclo – de repente uma TPM chegando? Me afastei do computador, coloquei uma compressa de gelo na testa, fechei os olhos por 5 minutos e procurei relaxar. Eu poderia tomar um banho bem quentinho e 5 minutinhos mais longo que o trivial mas ainda tinha muita coisa de trabalho pra resolver naquele dia e não queria perder o embalo. Me sentiria muito fracassada tomando um banho aleatório no meio da tarde.

Foi aí que entrei na crise hare-hare do “O que é mais importante, meu corpo ou as tarefas? Meu bem-estar ou esse capitalismo desenfreado? Minha saúde ou o lucro?” – e lá estava eu 5 minutos depois entrando no banho. Esqueci de explicar isso aqui no texto, tenho dois mundos bem conflitantes que coexistem dentro de mim e conversam entre si o dia todo dentro na minha cabeça, quase como o famoso “o anjinho e o diabinho” em cima dos meus ombros – que naquele momento estavam doendo muito. O diabinho quer ser a RYCA do rollet, vencer na vida, pagar boletos, botar dentes de mentira (O AUGE) e passar as férias em um iate em Trancoso. Trancoso não, que já é muito manjado mas pensa aí num lugar muito chique e um pouco mais cool que Trancoso. 

Já o anjinho é o meu lado hare-hare, hippie, tchubirubis, que sonha em viver de amor, miçanga e vender sua arte (pode ser nas ruas de Trancoso também, já que estamos falando tanto de lá). Quase sempre vou mais pelo anjinho-hippie-alecrim-dourado-florzinha-do-asfalto mas vez ou outra ainda flerto com o diabinho, o que me deixa constantemente bagunçada, obcecada, pensativa ou muito desligada. Se você conversando comigo já teve que falar “Ju? Tá prestando atenção no que eu tô falando?” provavelmente eu estava vivenciando uma discussão entre os dois lados dessa minha dicotomia interna.

Deixei cair nos meus ombros a água mais quente que eu suportei naquele momento e senti cada músculo do meu corpo destravar, os meus chackras (pontos de energia) se abrirem e minha mente clarear em esperança depois de horas naquele “toc-toc-toc” enlouquecedor. À medida que a água quente me acolhia, sentia a dor passar quase como se alguém estivesse tirando ela de mim com as próprias mãos. O som da água, os cheiros dos meus sabonetes, hidratantes e óleos, e aquela temperatura tão alta penetrando na minha pele me traziam para o presente, para o prazer, para o sensorial – tão distante da dor e daquela sensação de ansiedade. Que delícia, que alívio, que relax. 

Saí do banho já sem nenhuma dor de cabeça e com as costas novinhas em folha, como de uma criança de 5 anos. Animada, fiz meu skincare de 48 etapas, desembaracei os cabelos calmamente e, antes de voltar para a minha mesa de trabalho, joguei no lixo a embalagem do Naproxeno já vazia. Não lembro se cheguei a mencionar no meio do texto que tinha tomado o último antes de entrar no banho, porque a gente estava falando do negócio do anjinho e do diabinho e devo ter me empolgado e me distraído de novo nessa história. Mas mesmo assim, foi um banho bem revigorante. 

Hare-hare!

San Pabla mexe com as nossas emoções

#LOBASDACIDADE, FIGURAS DO COTIDIANO, MAPA DAS MINAS

San Pabla é uma cidade que mexe com as nossas emoções, dá uns tapas na nossa cara e uns refrescos depois pra compensar, né? Lembro do dia em que eu tava andando em Pinheiros, muito corrida pra pegar o metrô e encontrar uma amiga. Eu tinha feito um curso que passou do horário naquele dia e já tava bem atrasada. 

No caminho para a estação, uma senhora em situação de rua me pediu para comprar um café para ela. Como eu tava em um “modo automático”, só pensando em chegar logo ao meu destino, sem parar de andar imaginei que comprar o café me tomaria uns 10 minutos, pelo menos. Nessa mesma fração de segundo também lembrei que não tinha dinheiro trocado na bolsa para dar pra ela ali na hora.

Falei algo como “hoje eu não tenho!” mas de uma forma apressada, eu realmente nem parei de andar. Na minha cabeça só passava um trailer do filme que seria a minha amiga reclamando a tarde toda por eu ter me atrasado pra encontrar com ela. Cheguei na estação, agora sentada dentro do metrô, com mais calma pra pensar, lembrei do olhar daquela senhora e fiquei tão triste. 

Triste por a gente viver nessa correria e não ter tempo nem de parar e responder alguém. Triste por a gente atravessar ruas, bairros e regiões sem sentir as coisas, sem perceber as pessoas. Lembro de ter chorado inclusive. Como eu me arrependi de não ter parado aqueles 10 minutinhos para ajudar.

Nesse mesmo vagão, eu caí na gargalhada. Um grupo de uns 4 meninos que deviam ter entre 16-18 anos estavam falando de todas as técnicas que eles usavam para conseguir pagar a conta quando saíam com meninas muito feministas, que não deixavam eles fazerem essa gentileza. “Cara, cê tem que pagar tudo quando ela vai ao banheiro!”. “Mas e se eu quiser pagar na frente dela, tenho que pedir desculpas, ou algo assim?” “O lance é não deixar ela perceber que não tá gastando nem um centavo” – eles davam risadas e eu também.

San Pabla é uma cidade que mexe com as nossas emoções. Mas precisamos estar atentas à elas saindo desse modo automático que tanto falamos nos posts do #LOBADACIDADE. E você, amiga, já riu e chorou no mesmo dia? Tem estado mais atenta e desperta às sensações que te rodeiam em San Pabla? Me conta! 🌙