Dia desses eu tava com dor de cabeça

FIGURAS DO COTIDIANO

E muita dor nas costas.

Como se um peso estivesse me pressionando para baixo, sabe? Achei que poderia ser fome e má postura. 

Fui até a cozinha, comi um pãozinho com queijo branco e tomei um copo de água de coco. “Vai passar” – pensei, e não passou. Imaginei que a dor de cabeça poderia ser por causa do calor de quase 40 graus que faz em SP esses dias, então liguei o ventilador e tomei 1L de água bem gelada na esperança de melhorar sem precisar recorrer aos remédios. Flertei um com o Naproxeno e Ibuprofeno, imaginando nós juntinhos em um beijo triplo mas lembrei que nesse processo do #LOBASDACIDADE tenho tentado entender meu corpo e tratá-lo da maneira mais carinhosa e intuitiva possível, sem ficar me anestesiando e me enchendo de medicamentos, sem consciência, em um modo automático sem fim.

“Mais meditações e menos medicações!”, lembra? Fiz alongamentos e uma automassagem delicinha nos ombros, mãos e pés. Revisitei mentalmente tudo o que eu tinha comido naquele dia para tentar entender o que teria desequilibrado meu sistema (será que foi o salame ou a geléia da Turma da Mônica?), verifiquei meu Diário Lunar para saber se aquela dor latente tinha a ver com meu ciclo – de repente uma TPM chegando? Me afastei do computador, coloquei uma compressa de gelo na testa, fechei os olhos por 5 minutos e procurei relaxar. Eu poderia tomar um banho bem quentinho e 5 minutinhos mais longo que o trivial mas ainda tinha muita coisa de trabalho pra resolver naquele dia e não queria perder o embalo. Me sentiria muito fracassada tomando um banho aleatório no meio da tarde.

Foi aí que entrei na crise hare-hare do “O que é mais importante, meu corpo ou as tarefas? Meu bem-estar ou esse capitalismo desenfreado? Minha saúde ou o lucro?” – e lá estava eu 5 minutos depois entrando no banho. Esqueci de explicar isso aqui no texto, tenho dois mundos bem conflitantes que coexistem dentro de mim e conversam entre si o dia todo dentro na minha cabeça, quase como o famoso “o anjinho e o diabinho” em cima dos meus ombros – que naquele momento estavam doendo muito. O diabinho quer ser a RYCA do rollet, vencer na vida, pagar boletos, botar dentes de mentira (O AUGE) e passar as férias em um iate em Trancoso. Trancoso não, que já é muito manjado mas pensa aí num lugar muito chique e um pouco mais cool que Trancoso. 

Já o anjinho é o meu lado hare-hare, hippie, tchubirubis, que sonha em viver de amor, miçanga e vender sua arte (pode ser nas ruas de Trancoso também, já que estamos falando tanto de lá). Quase sempre vou mais pelo anjinho-hippie-alecrim-dourado-florzinha-do-asfalto mas vez ou outra ainda flerto com o diabinho, o que me deixa constantemente bagunçada, obcecada, pensativa ou muito desligada. Se você conversando comigo já teve que falar “Ju? Tá prestando atenção no que eu tô falando?” provavelmente eu estava vivenciando uma discussão entre os dois lados dessa minha dicotomia interna.

Deixei cair nos meus ombros a água mais quente que eu suportei naquele momento e senti cada músculo do meu corpo destravar, os meus chackras (pontos de energia) se abrirem e minha mente clarear em esperança depois de horas naquele “toc-toc-toc” enlouquecedor. À medida que a água quente me acolhia, sentia a dor passar quase como se alguém estivesse tirando ela de mim com as próprias mãos. O som da água, os cheiros dos meus sabonetes, hidratantes e óleos, e aquela temperatura tão alta penetrando na minha pele me traziam para o presente, para o prazer, para o sensorial – tão distante da dor e daquela sensação de ansiedade. Que delícia, que alívio, que relax. 

Saí do banho já sem nenhuma dor de cabeça e com as costas novinhas em folha, como de uma criança de 5 anos. Animada, fiz meu skincare de 48 etapas, desembaracei os cabelos calmamente e, antes de voltar para a minha mesa de trabalho, joguei no lixo a embalagem do Naproxeno já vazia. Não lembro se cheguei a mencionar no meio do texto que tinha tomado o último antes de entrar no banho, porque a gente estava falando do negócio do anjinho e do diabinho e devo ter me empolgado e me distraído de novo nessa história. Mas mesmo assim, foi um banho bem revigorante. 

Hare-hare!

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