A louca das listas – ou porquê me desapeguei de todos os boys

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Texto: Tatá Scaroni!

Quando senti pela primeira vez o que pensava ser o amor, veio junto a primeira certeza: eu queria que aquilo fosse pra sempre. Não houve beijo, não houve romance, não houve nada.

Mas o que eu senti, aquela poesia por dentro, queria que fosse pra sempre. Precisava ter a certeza de que cada detalhe do que senti iria morar na minha cabeça e que, se possível, aquele sentimento nunca iria sair do meu coração.

Por isso eu anotei.

Escrevi data, coloquei alguns detalhes: hora, endereço, roupa que usava quando conheci o mocinho e até as músicas que tocaram no dia.

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Ficou lá.

Eterno.

Preso em mim por uma caneta de hotel em uma agenda da década passada. Depois veio o segundo. E o ritual continuou. Nome. Lugar. Análise crítica do encontro das línguas. E veio o terceiro. E o quarto. Detalhes mais íntimos. E o décimo-seiláquanto. Esse não me lembrava o nome. Mas prendi ele no meu caderno mesmo assim.

Saia para balada? Mais cinco nomes pra lista. “Beijo rápido com gosto de Vodka”, “Assistimos o filme do Renato Russo”, “Tinha um Opalla”, “Tocava forró”, “nos conhecemos no ônibus”, “26 de abril de 2012”, “vendedor da livraria”, “monitor da exposição do Fellini”, “me ajudou a subir na pedra do Arpoardor”, “cruzou olhares no metrô”.

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Todos eles importantes. Se não virassem personagens da minha vida virariam personagens de uma boa história. E já não cabia mais nas páginas de dezembro da agenda de 2008. E já não sabia nem se o primeiro ainda estava vivo. Viraram todos números. Uma lista de pessoas presas em mim por uma folha mas que eu não sabia nem sentir pela lembrança. 20, 40, 60 ou mais caras que passaram pela minha vida naqueles tantos anos.

Até que um dia, simplesmente, resolvi jogar fora.

A lista toda.

Não preciso mais me prender a nenhum deles.

Minha paixão é por momentos, sentimentos, não por aquelas pessoas específicas, que nem conheci direito. Se me lembro de uma dúzia deles agora, de cabeça, é muito. Mas, às vezes, vem um estalo, um cheiro, um filme, uma música: uma lembrança. Uma memória surpresa que vem como um presente e lembra a paixão que vive em mim.

tata

Bio: Essa é a Tatá. A Tatá odeia bios.

Mais textos lindos dela em https://surubadeum.com/

 

 

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