Por que as pessoas somem?

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Eu tava saindo com Susângelo – e se preparem pra ler bastante esse nome aqui, já que é um nome super versátil, que dá pra identificar várias pessoas que simplesmente não precisam ser identificadas. Ele era fofo, carinhoso, tava tudo nos trinques, como diria minha tia avó.

Fiquei até surpresa quando percebi que a gente tava se dando muito bem. Depois de uma enxurrada de caras estranhos, sem sentimentos, que sumiam do nada ou que eram viciados em metalcore – que passou pela minha vida, ele era o primeiro que parecia menos emo e com um histórico de relacionamentos bem resolvido.

Fomos no parque. Fomos num restaurante. Fomos pro bar, enchemos a cara. Conversamos muito. Era divertido estar com ele, ele tinha um riso engraçado e comentários pertinentes sobre as conversas nas mesas que rodeavam a nossa.

Minhas amigas começaram a pedir o status da relação: “Miga, vocês estão namorando? Você tá apaixonada? Vão assumir algo? Vocês vão sair no fds? Posso incluir o nome dele na lista de convidados pro casamento da Vandinha?” – Vandinha é um outro nome ótchimo pra gente falar de gente que não está aqui pra se defender.

Mas todas as minhas respostas eram: NÃO. Eu tinha chegado a tão falada maturidade, um lugar do mundo aonde você recebe mensagens do boy magia e não precisa pular euforicamente por causa disso achando que o casamento é a felicidade e a felicidade chegou em forma de uma mensagem de voz de 3 segundos, no WTSPP.

Porém, passadas mais algumas semanas, a coisa toda começou a ficar um pouco mais intensa e complicada do que eu gostaria. A gente se falava todo dia, toda hora e programava o final de semana juntos como se a gente fosse namorados, mas ele não era meu namorado. Comecei a pensar que deveria incluir ele nos meus planos, talvez encontrar lugares pra ele na minha rotina que mal tinha espaço pra mim mesma, comecei a pensar se deveria parar de beijar outras bocas mesmo não estando apaixonada por ele.

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Isso me deixou confusa.

Nos encontramos mais algumas vezes e agora com toda essa nóia na cabeça, comecei a analisar inconscientemente o comportamento dele pra saber se ele era digno do meu amor… E no fundo eu não queria fazer isso. Obviamente comecei a perceber o quanto ele não era perfeito, o quanto ele tinha falhas como todas as outras criaturas e o quanto eu não estava preparada pra lidar com essas falhas. Eu já tinha falhas demais pra ter que lidar.

Inclusive ele também não estava apaixonado por mim, apenas tocando o barco sem saber aonde ele ia chegar.

Queria que as coisas com ele acontecessem naturalmente? Queria sim. Mas eu e meu coração bestinha não conseguíamos tocar as nossas vidas sem saber exatamente o que tava acontecendo. A gente precisava de uma definição.

Fiquei apavorada.

E nada disso era motivo pra chegar e falar em alto em bom tom que “eu não quero mais, você falhou, chega, não posso mais te ver”. Nessa hora nenhum motivo seria motivo o suficiente pra “terminar”. Ele não tinha feito nada, ele só não era o cara que eu queria amar, mas também não era um cara que eu queria odiar. Não queria mais perder meu tempo com a complexidade de uma relação a dois que naquele momento não cabia na minha vida e também não queria que ele perdesse o tempo dele.

Então sumi. Parei de responder. Parei de atender as ligações. E entendi porque às vezes as pessoas fazem isso. É cruel? Pode até ser. Mas eu precisava pensar, organizar a minha mente, entender pra onde minha vida tava indo e se eu queria mesmo seguir naquela direção. Recebi mensagens incrédulas e eu e minha falta de vontade de respondê-las sofremos juntinhas, abraçadas, caladas. Sim, permanecemos caladas, porque a gente ainda acredita que crueldade mesmo é iludir alguém que não merece ser iludido. Sair de cena quando se está confuso é o melhor que se pode fazer.

Não merecemos isso. Nem eu, nem você e nem Susângelo.

Texto originalmente publicado no blog da Glambox Brasil.

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