Quem se define, se limita?

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Confesso com uma vergonha meio sem-vergonha, que não sou uma grande entendedora de política. É que são tantas coisas tristes que a gente vê por aí, e ao mesmo tempo vem a alienação – essa danada – tão mais confortável com almofadas, reclinação e apoio pros pés. Ela tá errada, claro, mas por hora a única política que eu pratico mesmo é a da boa vizinhança.

Porém, uma coisa eu posso falar com bastante propriedade: definir “lados” e escolher um deles como um filhotinho abandonado, pra criar e defender com unhas e dentes, sem dar ouvidos a outros pontos de vista e opiniões não é o caminho. Não é o caminho para um país melhor e nem para que sua vida seja melhor.

Desde a época das cavernas, a gente sempre andou com grupos de pessoas que nos identificamos, por uma questão de sobrevivência: temos que ser aceitos e fazer parte de algo, assim estaremos seguros diante de outros grupos. O problema é quando essa necessidade de “fazer parte de algo” é maior do que o próprio ALGO. Em pleno 2016, com tanta informação, parece que as pessoas ainda têm medo de se abrir pra mais de uma opinião, receio de olhar pros dois lados da moeda.

Não é porque você é de esquerda que precisa amar a Dilma de paixão, não é porque não come carne que precisa julgar quem come, não é porque alguém falou uma única coisa que você não gostou, que essa pessoa precisa ser detonada em praça pública. Não é porque você gosta de rock que você não pode ouvir Mc Mayara e se sentir bem com isso, não é porque você segue determinada religião que não pode conhecer e admirar os princípios de outra, não é porque você tem mais de 30 anos que não pode colecionar My Little Ponys, não é porque você é médica que não pode fazer um curso de ponto-cruz, não é porque você participa de discussões intelectuais que não pode gostar de Justin Bieber, não é porque você tem um grupos de amigos X que não pode se envolver com pessoas Y.

Buscar definições – e já falei sobre essa necessidade de ter opinião o tempo todo aqui nesse outro texto –  e tentar se encaixar em algum grupo é um conceito que temos muito forte em nossa cultura mas que só nos emburrece, nos deixa sem repertório, sem saber o que estamos fazendo aqui. E se quer saber, os políticos se aproveitam disso. Todos eles – dos dois lados – estão errados, mas ao saber que estamos lutando fervorosamente ao lado de um e contra o outro, nada vai fazer diferença: eles vão ter o apoio que precisam e continuar errando.

Por isso, abra mais a cabeça. Se permita! Busque uma terceira opinião pra tudo nessa vida. Somos seres humanos cheios de variações, nuances, formas diferentes de pensar, diferenças genéticas, influências astrológicas, momentos, experiências – e não máquinas programadas. Não somos definíveis, não precisamos nos guardar em gavetas ou em potinhos etiquetados, não precisamos nos rotular. Você pode ser 99% alguma coisa, mas aquele 1% outra – e tudo ótimo. A destruição não está em um dos lados, mas na necessidade de escolher um deles.

Ter “personalidade forte” tem pouco a ver com falar gritando, sem ouvir o que os outros têm a dizer, e muito a ver com analisar todas as possibilidades possíveis pra saber bem do que está falando.

Quem se define, se limita. Somos muito mais que isso! <3

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