Eu já peguei um falso-bonzinho. E você?

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Imagina uma mina sensível, legalzinha e meio desligada que sem nenhuma intenção conquista o coração de um cara muito canalha, mas que se torna fofo e romântico apenas porque jamais tinha se encantado de verdade por alguém. Coloque uma trilha sonora do The Smiths e uma cena final no aeroporto e você tem uma típica comédia romântica americana. UGH!

Eu tenho um ódio profundo desse formato de filme, ele é um combo de problemas – personagens rasos e estereotipados, tramas clichês e trilhas sonoras duvidosas – que têm que ser resolvidos urgente. Mas quando liguei a tevê esses dias depois de terminar Breaking Bad, queria assistir qualquer coisa que tirasse da minha cabeça aquele lance de derreter os corpos nos barris, então escolhi “Love” (nova série da Netflix) que parecia ser uma comediazinha com fins distrativos e a opção menos violenta diante de Dexter, Narcos e Peppa Pig.

Mas me surpreendi. Ao contrário das outras comédias românticas, Love não é sobre o garanhão que vira bonzinho: é sobre o bonzinho que vira garanhão. E apesar de a série estar sendo bastante criticada negativamente por essa temática, achei ela interessante, justamente por isso – e pelo figurino lindo da personagem principal, Mickey. A série desconstrói a ideia de que um cara nerd, gentil e aparentemente fofo vai ser a resolução dos problemas de uma mulher. Ele inclusive pode vir a ser um grande problema.

Eu já peguei alguns Gus. Carinhas fofos, nerds, meio desajeitados, não muito bonitos mas que eram gentis com todo mundo e ajudavam velhinhas a atravessarem a rua. Não caio mais nessa: foi o festival de piores cagadas que eu fiz nesses meus 25 anos de estrada. Construí atmosferas de confiança e me apoiei em pessoas que pareciam ser sensíveis, mas que na verdade eram só caras frios, rasos, egoístas e que me manipularam por meses se disfarçando de bons-moços.

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“Você não é um cara bonzinho. Você é um falso-bonzinho, o que é muito pior que ser cruel.”

Em nenhum momento ele quiseram se aprofundar sobre a minha vida ou quem eu realmente era, apenas desfilar por aí com a minha presença quando fosse mais conveniente, achando que eu seria a cool girl que ia encher a vida monótona deles de diversão, aventuras e muito sexo. Eu deveria ter visto isso como um grande sinal, mas não vi. Preferi continuar na bola-de-neve que é ficar se enganando, achando que o cara realmente tem um bom coração e que já era tarde demais pra desistir de tudo e voltar pro Tinder. E enlouqueci muitas vezes antes de cair na real – como a Mickey. E descobri que era muito melhor ficar sozinha e reestruturar a minha vida longe de caras assim – isso ela não conseguiu fazer.

Então quero dar dois recados, primeiro pra minas: não se iludam mais com caras assim! É difícil identificar bonzinhos-bonzinhos e falsos-bonzinhos a princípio, mas com o tempo se pega o jeito. Apenas fiquem espertas a qualquer sinal de desleixo e falta de envolvimento da parte dele. E pros manos: não queiram ser esse cara. Não é um problema deixar claro sobre o que você quer: se é só sexo, que seja só sexo e fale isso na lata. Caras que jogaram essa real pra mim logo no começo, têm a minha amizade (colorida ou não) até hoje. E pra todos: assistam “Love”. A série bem ou mal mostra bem esse tipo de relação rasa em que costumamos mergulhar profundamente. Me identifiquei bastante e acho que vocês também podem se identificar pois quase toda mulher já deve ter se deparado e se envolvido com um Gus na vida. E não vou mentir que chorei de rir em vários momentos da série. Apenas porque ela é engraçada.

Peace n Love!

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2 comentários em “Eu já peguei um falso-bonzinho. E você?”

  1. Tentar gostar de bonzinhos porque não quer mais sofrer, quem nunca? Eu nunca.

    Nunca fui com a cara de bonzinhos; não por serem bonzinhos, mas porque os que eu conheci eram meio inseguros e eu me irritava. Nunca decidiam nada por medo de eu não gostar, nunca sugeriam nada, nunca tomavam atitude. Gosto de gente confiante. Então, sobre a série, comecei a ver, mas parei porque achei o cara um saco.

    Mas achei interessante por não ser clichê. Como você disse, a maioria das comédias românticas parecem vir sempre com o mesmo estereótipo, então é bom mudar um pouco. Foi por isso que comecei a ver. Mas o cara me irritou demais, putz, ainda mais quando a namorada acabou com ele. =(

    Gostei da dica que você deu, pras meninas não caírem nessa. Pelo menos com o canalha convicto, a gente sabe onde está pisando. hahaha! Brincadeira.

    Peppa Pig violenta? Gargalhei aqui.

    Beijos.

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