Afinal, o Tinder funciona? – Sobre amores planejados

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A Appstore deve me achar uma pessoa com sérios problemas existenciais. É que eu baixo o Tinder e depois apago o Tinder. Então eu baixo o happn e apago o happn. Baixo o Kickoff e apago o Kickoff. Se ela fosse uma pessoa ela me falaria: Miga, que que tá con teseno?

É que é um ciclo vicioso. Eu baixo o app porque “não tô fazendo nada mesmo, que que custa dar uns likes”, aí me pego conversando com 40 caras diferentes sobre assuntos que não passam do “E aí o que você faz da vida?” – 40 E aís o que você faz da vida (ao mesmo tempo e com eco).

Em suma, o que acontece é: a gente conversa com vários caras mirando em Diamonds are a Girls Best Friends da Marilyn Monroe, mas acerta naquele vídeo “Tô doidinha da cabeça” porque conversar com muita gente ao mesmo tempo pode ser um pouco perturbador.

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Às vezes eu consigo desenvolver uma conversinha um pouco mais extensa com um ou dois deles – lembrando que ainda não tivemos altas químicas verbais aqui, apenas a conversa passou do “E aí o que você faz da vida?” pra “Sério? Eu também gosto de burguers artesanais” – então a gente marca de sair.

Eu sempre jogo esses encontros pro sábado, por ser um dia que aparentemente demora muito pra chegar e no meu subconsciente eu acho que ele nunca vai chegar e eu nunca vou precisar lidar com isso. Mas ele chega. Ah, ele chega! E chega o horário também, pra me lembrar que eu preciso largar toda a minha vida interessantíssima de maratonas de Netflix pra ir ao encontro de alguém cuja única coisa que eu sei é que “adora temaki e é filósofo de bar nas horas vagas”.

Aí a gente tem que se arrumar, sair de casa e ir até o local combinado – e sempre cai uma chuvinha no meio do caminho pra ajudar. Chego lá e muitas vezes nem reconheço o cara de tão photoshopado que ele tava nas fotos do app – o que já dá aquela desanimada, não pelo fato de o cara não ser tão bem-apessoado mas pelo fato de ele ser bem falsiane.

E aí habemus um encontro confortável & cheio de perguntas agradáveis como: “Mas o que você faz além de escrever? Tipo, pra ganhar dinheiro mesmo?”, “Quais os seus hobbies além do blog?” ou “Qual a sua pretensão salarial?” OPS! – Essa última pergunta foi da entrevista de emprego que fui na mesma semana, é que é tudo tão parecido que confundi.

Também não há constrangimento algum quando o garçom entrega a conta perguntando pro cara se ele vai pagar tudo ou querer dividir. Ou quando aquele senhorzinho que passa entre as mesas vendendo flores chega no seu tinder-date e pergunta: “Vai uma rosa pra amada?”. Ao que parece São Paulo não é uma capital preparada para a chuva, para o trânsito e para encontros casuais.

E se não tiver rolado nenhum beijo até então, não se preocupe: todos no ambiente sabem (até o carinha das flores) que hora ou outra o moço do app vai tentar te beijar, e isso te deixa um pouco tensa – principalmente quando você tá passando todos os sinais de que não faz questão nenhuma de que aquele beijo aconteça.

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Chego em casa acabada, como se eu estivesse voltando da guerra, ou de uma liquidação em loja de departamento na época de Natal. Abro o celular, e com uma raiva pulsante dentro de mim, não vejo outra alternativa se não deletar o Tinder, o happn, o Kickoff e todos os apps de paquera instalados. Saiam da minha casa, já! 

SIM, eu já tive – alguns – encontros muito bons com pessoas dos apps. E mais: tenho amigos que conheceram seus pares ideais pelo Tindão – o que nos mostra que as vezes ele pode realmente funcionar. E isso tudo é muito bonito, me traz uma certa inspiração pra acreditar que o amor pode acontecer em lugares inusitados, como na fila do supermercado. E pra baixar todos os apps novamente num final de semana entediante, deixando minha Appstore “doidinha da cabeça”.

Mas ainda prefiro encontros casuais realmente casuais como a própria palavra sugere. Tive experiências mais interessantes quando me relacionei com pessoas que conheci no acaso, no meio de uma festa ou de um grupo de amigos, sem nenhum planejamento, sem nenhuma mensagem com perguntinhas prontas e nenhum scriptinder pra seguir.

Mas é aquela coisa né: enquanto esses momentos especiais não chegam, bora dar uns likes aí.

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9 comentários em “Afinal, o Tinder funciona? – Sobre amores planejados”

  1. 😍 Bem EU… Rsrsrsrs…. Eu tenho uma amiga que fala direto ” O Tinder NÃO presta” …. E o pior que é verdade viu… Eu acredito em encontros esporádicos , pois assim , não ficamos enrolados em um papinho sem noção e sim em afinidades reais . … Sou contra estes app. Afinal , o melhor sempre chega sempre quando não esperamos 😘✌

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