O que o clipe novo da Riri tem a ver com a treta da Taylor Swift com a Nicki Minaj?

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Quem não acordou no começo desse mês pegando o celular com os olhos ainda meio fechados, pra conferir o novo clipe da Rihanna “Bitch, better dksfbdf”, que atire o primeiro plaquê de R$100.

“Empoderador”, “Revolucionário”, “Fodarásso” – foram os primeiros comentários que pesquei na internet. Aí eu fui assistir o clipe, com uma grande expectativa, voltada principalmente para um aspecto feminista que eu já estava me preparando pra aplaudir. Conclusão: achei a produção foda. Mas quando tentei refletir sobre o enredo, deu um mindfuck aqui: se nós mulheres estamos lutando tanto pra inserir na sociedade a ideia de que somos todas amygas e os machistas não passarão, como um clipe em que uma mina quer matar a outra pode ser tão empoderador? Até achei que a palavra “bitch” na música, estaria direcionada ao único homem que aparece no clipe, mas não, não era isso.

Não entendi mesmo. E sabe por quê? Por que eu não sou negra. E nem racista.

Então pelo fato de o racismo teoricamente não fazer parte da minha vida, porque eu não sofro e nem pratico, a principal mensagem do clipe passou despercebida pela pequenez de minha mente acomodada e um tanto quando egoísta. Só descobri isso quando fui realmente conversar com garotas negras que consideram o videoclip praticamente um elixir das novas gerações, por colocar a mulher negra finalmente no poder – e acima de uma branca. E isso é necessário. É necessário esse contraste, esse exagero mostrado no clipe. Baques assim são necessários pra sociedade acordar, como eu acordei. Todas nós mulheres sofremos diariamente sem os direitos que merecíamos, mas as que são negras ainda sofrem o dobro pelo racismo distribuído nos pequenos – ou grandes – detalhes da vida cotidiana.

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E aí vamos pra treta que aconteceu agorinha, entre a Taylor Swift e a Nick Minaj. Em suma, Taylor foi indicada a várias categorias do VMA, Nick ficou um tanto quanto frustrada já que seu vídeo Anaconda foi um sucesso no VEVO, virou hit e ainda assim não foi indicado a Vídeo do Ano. Então, ela mandou uns tweets bastante provocadores, como esse:

“Se eu fosse um “tipo” de artista diferente, Anaconda teria sido indicado para melhor coreografia e vídeo do ano também :)”

Aparentemente, parece que ela está provocando Taylor, que até respondeu levantando o feminismo, como se fosse o assunto em pauta. Mas ela não percebeu que Nick ia muito mais além em seus comentários, provocando um sistema racista todo cagado que ainda temos o desprazer de vivenciar em 2015.

Moral da fábula: não é o suficiente pensarmos só nos assuntos que nos dizem respeito. Estamos muito acostumados a tentar resolver os nossos problemas, “fazer o nosso” e ir pra casa descansar, mas não é isso que a sociedade tá pedindo. Infelizmente vivemos em torno de uma cultura onde o que não nos afeta diretamente, não nos interessa, e esquecemos o fato de que somos uma corrente e o que afeta um afeta todos. Falta nos colocarmos no lugar do outro antes de disparar a nossa tão abastecida metralhadora de críticas, tentar entender o contexto e sentir a dor do próximo. A mensagem que podemos tirar de tudo isso que vêm acontecendo, é que falar “eu não sou racista” com um sorrisão no rosto e ir pra casa se sentindo bem, ainda é muito, mas muuuuito pouco pra um mundo mais habitável.

-Garçom, me vê um suco de empatia, por favor?

 

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