A geração que só critica | PI #01

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Das redes sociais, o que você ganhou? O poder da voz. Com o feici, o tuíter e o insta ficou mil vezes mais fácil de a gente se expressar, divulgando o que vem na cabeça mesmo & fôdaci fôdaci fôdaci. Só que o tio Ben que reside em nossos corações esqueceu dessa vez de nos alertar que grandes poderes exigem grandes responsabilidades: e estamos nos tornando perigosos extremistas.

Segundo meu amigo íntimo Zygmunt Bauman, estamos vivendo numa transição entre duas sociedades: uma que já foi, e uma que ainda será. Diante disso, ficamos meio perdidos sobre algumas questões mas sempre com um sentimento de dívida com o mundo, e a necessidade nos posicionar. Um exemplo disso foi o que rolou em cima da propaganda de dia dos namorados d’o Boticário. Se você frequentou o planeta Terra nas últimas semanas, percebeu a quantidade de críticas que vieram em cima do comercial. Sendo contra ou a favor –  todo mundo gritou.

“Um dos sintomas mais evidentes da ‘sociedade líquida’ em que vivemos é a intolerância da massa social diante de tudo aquilo que de alguma maneira se considera como desvio de conduta ou que destoa dos padrões vigentes. Todo tipo de comportamento ou modo de ser que supostamente não se coaduna com nossos princípios particulares torna-se digno de nosso mais terrível desprezo, pois no fundo queremos ver estampado no rosto do ‘outro’ um pouco daquilo que nós mesmos somos.”  (Renato Nunes Bittencourt)

Tudo bem cada um seguir a sua linha de pensamento. Mas esse é um exemplo de cenário que nos traz a necessidade de agarrar algum lado, independente do assunto em pauta e da profundidade de nossos conhecimentos sobre ele. O importante no final das contas é o criticar.

Temos opinião, pois a vida inteira ouvimos frases como “não fique em cima do muro”, “escolha um lado”, e depois do anonimato que a internet nos proporcionou ficou muito mais fácil apontar o dedo na cara dos outros – muitas vezes sem ter de fato algum fundamento plausível. Tudo o que aparentemente nos agride – as vezes só por se mostrar fora de nossos padrões, nosso cenário e nossa visão – nós agredimos de volta sem pensar na dimensão global daquilo que publicamos. Com uma frase, um tweet, uma foto, todos já podem tirar conclusões “aprofundadas” sobre todos e julgá-los.

Nos posicionamos em A ou B, não existe o considerar de todas as partes. É fácil criticar o filme 50 Tons de Cinza, dizendo que não contém safadeza o suficiente, mas também é fácil criticar outros filmes da categoria por serem dirty demais. É fácil apontar uma cantora que usou uma roupa diferente do que estamos acostumados a ver, é fácil xingar uma comediante que fez uma piada errada e um blogueiro que tem um pensamento único. Até pra campanha das redes sociais em apoio a aprovação do casamento gay nos EUA, teve gente que teve que ser do contra, publicando a foto de uma criança passando fome – que convenhamos, deveria pertencer a outra discussão mas foi uma forma que alguns encontraram para poder mostrar que a opinião está em dia sim, thank you very much.

“Vivemos numa “sociedade confessional”, não importa se o que você pensa é privado, a sua opinião precisa ser publicada.” (Bauman)

Nossa geração é pasteurizada, porém hipócrita, muitas vezes construindo revoluções de plásticoÉ irônico, porque estamos constantemente levantando a bandeira da luta pelas diferenças, pelo seja quem você é, mas uma ou duas opiniões diferentes já causam rebuliço. Será que não vale a pena estarmos sempre a postos para entender as situações por todos os ângulos?

Escolher com urgência um lado do campo para jogar pode parecer confortável, mas acaba fechando as portas da reflexão, num mundo onde não existe o certo e o errado. Preconceito não é uma palavra necessariamente associada a etnias, gêneros e sexualidade, mas a tudo que envolve opiniões e a gente só vai conseguir se livrar desse problema no dia em que antes de criticar as atitudes de alguém, a gente consiga parar por um segundo, respirar e analisar o que nós mesmos estamos fazendo. Não nos colocamos no lugar das pessoas, pra tentar entender o que elas estão dizendo. Não praticamos a famosa empatia.

Precisamos nos equilibrar.

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Esse é o texto PI#01, que faz parte de uma antologia de textos sobre comportamentos “politicamente incorretos”. Leia os outros!

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2 comentários em “A geração que só critica | PI #01”

  1. Mulher!!!! Seus textos são muito bons. Até agora li apenas dois, mas já me apaixonei e indiquei o blog para algumas amigas. Continue com esse senso crítico e questionador maravilhoso que vc vai longe. Sou jornalista e fiquei admirada com sua contextualização e clareza com as palavras. Palmas palmas. You rock!!

    Curtido por 1 pessoa

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